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O Problema Final, Final Explicado: quem é o assassino?

O Final Explicado de O Problema Final, minissérie espanhola disponível na Netflix, revela que a mulher apresentada como Adela Figueroa é, na verdade, Elisa Mander — a suposta primeira vítima dos assassinatos. É ela quem mata Adela, o doutor Seruya e Klemmer, construindo um quebra-cabeça de identidades que consegue enganar até Benjamin Basil durante quase toda a investigação.

Estrelada por José Coronado, María Valverde e Martiño Rivas, a produção estreou em 25 de setembro de 2026 e possui quatro episódios. Inspirada no romance homônimo de Arturo Pérez-Reverte, a história acompanha um ator conhecido por interpretar Sherlock Holmes que precisa aplicar na vida real aquilo que aprendeu representando o famoso detetive.

Se você terminou a série tentando entender quem realmente morreu no primeiro episódio, por que Elisa matou Klemmer e por que Basil decide não entregá-la à polícia, vamos organizar todas as peças.

E, claro, daqui para a frente teremos spoilers completos do final de O Problema Final.

Quem é o verdadeiro assassino de O Problema Final?

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Imagem: Netflix

Elisa Mander é a responsável pelos três assassinatos. O grande truque é que ela passou quase toda a série usando a identidade de Adela Figueroa, enquanto a verdadeira Adela era justamente a mulher encontrada morta no início.

A pergunta que conduz a investigação estava errada desde o começo.

Todos queriam descobrir quem matou Elisa.

Mas Elisa não estava morta.

Ela e Adela Figueroa haviam trocado de identidade antes de chegar ao hotel de Santa Águeda. O enorme parecido entre as duas permitia sustentar o jogo com roupas, maquiagem e pequenos detalhes de comportamento.

Para Adela, a troca representava uma oportunidade de escapar temporariamente das limitações impostas por sua posição social.

Para Elisa, havia algo muito maior em jogo.

Ela enxergou a possibilidade de abandonar definitivamente sua antiga existência e ocupar a vida confortável da amiga.

Por isso, a primeira vítima é a verdadeira Adela.

A assassina passa toda a investigação ao lado do homem que tenta encontrá-la, fingindo ser outra pessoa.

É essa inversão que torna o último episódio tão eficiente.

Basil não precisava descobrir apenas como o crime havia sido cometido.

Precisava compreender quem realmente estava morto.

Como Elisa matou Adela e fez tudo parecer suicídio?

Elisa golpeia Adela na cabeça com um banco, utiliza o sistema de roldanas do depósito para enforcá-la e monta a cena para que todos acreditem estar diante de um suicídio.

Meses depois dos acontecimentos da ilha, Basil recria o ambiente do hotel dentro de um estúdio cinematográfico.

O cenário é uma réplica quase exata do depósito onde o primeiro corpo foi encontrado.

Ele convida a mulher que acredita ser Adela para visitar as filmagens e começa a reconstruir o crime diante dela.

É uma armadilha psicológica.

Basil percebe que vários objetos aparentemente insignificantes eram, na verdade, pistas: a cadeira, a corda, o xale laranja e a maneira como o cômodo havia sido fechado.

A assassina precisava criar a impressão de que ninguém poderia ter saído dali.

Depois de deixar o aposento, utilizou o xale para puxar a cadeira através da abertura sob a porta, fazendo parecer que ela havia sido bloqueada por dentro.

A corda também havia sido manipulada para contribuir com a encenação.

O famoso “crime impossível” deixa então de ser impossível.

Era apenas uma cena muito bem dirigida.

E existe uma ironia bonita nisso: é dentro de um cenário de cinema que Basil finalmente percebe como a realidade havia sido encenada diante dele.

Como Basil descobre que Adela é realmente Elisa?

A solução surge pela combinação de várias pequenas inconsistências.

Basil percebe que a mulher diante dele não possui os hábitos e características esperados de Adela Figueroa.

As mãos são uma pista importante.

Aquilo que ele inicialmente poderia interpretar como mãos delicadas de uma mulher rica também pode revelar o hábito repetitivo de alguém que trabalhou durante anos como mecanógrafa.

Elisa tinha justamente esse passado.

As fresas oferecem outra confirmação. A documentação encontrada por Basil revela que Elisa era alérgica à fruta, e a mulher que se apresenta como Adela evita comê-las durante o jantar.

Por fim, existe a documentação ligada à Força Aérea britânica e ao passado de Elisa.

As informações começam a formar um retrato incompatível com a identidade apresentada por ela.

Basil então chega à resposta que reorganiza toda a temporada:

“Adela” é Elisa Mander.

A pessoa que parecia ter morrido no início esteve viva diante dele durante toda a investigação.

Por que Elisa matou o doutor Seruya?

Seruya morre porque descobre inconsistências na suposta morte de Elisa e tenta tirar proveito da informação.

O médico percebe que algo está errado na cena do primeiro crime.

Entre suas descobertas está a manipulação da corda.

Em vez de revelar imediatamente aquilo que descobriu, ele tenta utilizar a informação em benefício próprio.

Isso o transforma em uma ameaça.

Sua morte não fazia necessariamente parte do plano inicial de Elisa, mas passa a ser necessária para impedir que sua verdadeira identidade seja descoberta.

Existe aqui uma escalada bastante típica de crimes construídos sobre uma mentira.

O primeiro assassinato exige uma encenação.

A encenação gera uma testemunha perigosa.

E então um novo crime se torna necessário para preservar o anterior.

Elisa deixa de controlar apenas uma mentira e passa a precisar proteger toda uma realidade inventada.

Por que Klemmer foi assassinado?

A morte de Klemmer é uma vingança pelo marido de Elisa, John Mander, executado durante a Segunda Guerra Mundial.

John era piloto.

Seu avião foi abatido durante a guerra e ele acabou capturado pelos alemães. Uma tentativa de fuga terminou com uma condenação à morte.

A ordem de execução havia sido assinada por Hans Ludwig Klemmer.

Depois da guerra, Klemmer conseguiu seguir sua vida.

Elisa não.

A perda do marido permaneceu aberta dentro dela por anos.

Por isso, sua presença no hotel não é totalmente casual. Ela sabia que Klemmer poderia estar ali e enxerga a oportunidade de acertar contas com o passado.

Quando Basil encontra a conexão entre os documentos militares, John e Klemmer, compreende outro pedaço do quebra-cabeça.

Adela não teria motivo para matar aquele homem. Elisa tinha.

É a motivação que finalmente confirma a identidade.

Por que Elisa também tenta matar Basil?

A relação entre os dois é mais antiga e dolorosa do que Basil inicialmente imagina.

Elisa conheceu Benjamin Basil muitos anos antes, quando era uma jovem que sonhava em se tornar atriz. Os dois tiveram um envolvimento, e ela acreditou nas promessas de que ele ajudaria sua carreira.

Basil acabou abandonando-a.

Parou de receber suas ligações e seguiu com a própria vida.

Para ele, talvez tenha sido apenas mais um relacionamento.

Para Elisa, foi uma experiência profundamente marcante.

Quando os dois se reencontram em Santa Águeda, ela percebe não apenas o homem que a feriu, mas também alguém capaz de destruir a identidade que conseguiu construir.

Basil é uma ameaça prática e emocional.

Depois de ser desmascarada, Elisa o leva embriagado para casa e o deixa dentro da garagem com o carro ligado, esperando que os gases provoquem sua morte.

Mas Basil consegue escapar.

O confronto seguinte deixa de ser apenas o encontro entre investigador e assassina.

Agora são duas pessoas obrigadas a reconhecer aquilo que fizeram uma à outra.

Por que Basil não entrega Elisa à polícia?

Basil possui elementos suficientes para denunciar Elisa, mas decide deixá-la ir. Ela não é presa nem condenada no final da minissérie.

Essa talvez seja a escolha moralmente mais desconfortável do encerramento.

Basil não considera os assassinatos justificáveis.

Mas reconhece sua participação na história emocional daquela mulher.

Ele sabe que a abandonou quando ela era jovem e vulnerável. Sabe que prometeu coisas que nunca teve intenção real de cumprir.

Isso não o transforma em responsável pelos crimes.

Mas produz culpa.

E Basil deixa que essa culpa interfira em sua posição de investigador.

Ele oferece uma espécie de liberdade condicional particular: Elisa poderá seguir sua vida, mas ele conserva a possibilidade de revelar a verdade caso ela volte a matar.

Não é justiça institucional.

É um pacto.

Basil resolve o crime, mas escolhe não produzir uma condenação.

Psicologicamente, sua decisão diz tanto sobre ele quanto sobre Elisa.

Depois de passar a história inteira tentando provar que consegue pensar como Sherlock Holmes, Basil faz algo profundamente distante do detetive idealizado: deixa que sua história pessoal contamine a conclusão do caso.

O que significa a referência a Um Escândalo na Boêmia?

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Imagem: Netflix

O encerramento aproxima Elisa de Irene Adler, uma das mulheres mais lembradas do universo de Sherlock Holmes.

Em Um Escândalo na Boêmia, Adler consegue surpreender Holmes e permanecer em sua memória justamente porque não se encaixa na posição de vítima ou adversária facilmente dominada.

A comparação ajuda a compreender a relação entre Basil e Elisa.

Os dois sabem algo que o outro gostaria de esconder.

Elisa conhece as fragilidades do homem por trás do personagem de Sherlock Holmes.

Basil conhece sua verdadeira identidade e seus crimes.

Nenhum deles sai completamente vencedor.

O verdadeiro “problema final” de Basil não era descobrir quem matou Elisa. Era aceitar que a mulher que procurava estava diante dele — e que sua própria história fazia parte do mistério.

O Problema Final é fiel ao livro de Arturo Pérez-Reverte?

A minissérie preserva a essência da novela, mas não é uma adaptação literal.

O livro de Arturo Pérez-Reverte foi publicado em 2023 e também acompanha um ator conhecido por interpretar Sherlock Holmes diante de um clássico mistério de espaço fechado.

Mas existem mudanças importantes.

No romance, a história acontece em junho de 1960, na ilha fictícia de Utakos, próxima a Corfu, e a primeira vítima se chama Edith Mander. A Netflix transporta os acontecimentos para a primavera de 1959 e para Santa Águeda, um ilhote próximo a Mallorca, além de ampliar e modificar personagens e situações.

A adaptação também desloca parte do peso metaliterário do romance para a investigação propriamente dita.

Ou seja: ela preserva o jogo entre Sherlock Holmes, cinema e realidade, mas reorganiza seus elementos para uma narrativa audiovisual mais concentrada no mistério.

O sentimento que fica: quem realmente venceu O Problema Final?

O encerramento não oferece a satisfação tradicional de ver o assassino algemado.

Basil resolve o caso.

Elisa admite a verdade.

Mas ela permanece livre.

Essa escolha combina com uma história profundamente interessada na diferença entre aquilo que vemos e aquilo que realmente existe.

Elisa interpreta Adela.

Basil passou décadas interpretando Sherlock Holmes.

Um transformou a ficção em profissão.

A outra transformou a própria vida em uma personagem.

Quando finalmente ficam frente a frente, não existem mais máscaras confortáveis.

Basil precisa enxergar o homem que foi.

Elisa precisa reconhecer a mulher em que se transformou.

O Problema Final termina lembrando que descobrir a verdade e saber o que fazer com ela são duas coisas muito diferentes.

Basil encontra a solução.

Mas, pela primeira vez, talvez compreenda que a vida real não termina quando o detetive explica o crime.

É justamente depois da explicação que começa a parte mais difícil.

O Minha Série Favorita valoriza o trabalho de escritores, roteiristas, diretores, atores e de todos os profissionais envolvidos na criação audiovisual. Assista a O Problema Final pela Netflix, plataforma oficial de distribuição da minissérie. Valorizar a arte também é contribuir para que novas histórias continuem sendo contadas.

Magui Schneider
Magui Schneider
Artigos: 198

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