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Masterplan é história real? A Mona Lisa já foi roubada — e o caso verdadeiro é ainda mais curioso

Masterplan não é baseado em uma história real. Roger, Chiara, Jay e o plano mirabolante para retirar a Mona Lisa do Louvre foram criados para o filme do Prime Video.

Mas existe uma ironia histórica difícil de superar: aquilo que o longa trata como o “roubo impossível” já aconteceu. Em 1911, um homem conseguiu sair do Louvre levando a Mona Lisa — sem hacker, explosivos, balão tecnológico ou equipe internacional.

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A Mona Lisa já foi roubada de verdade?

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Imagem: Prime Video

Sim. A pintura desapareceu do Louvre em 21 de agosto de 1911.

O responsável foi Vincenzo Peruggia, um italiano que havia trabalhado no museu como vidraceiro. Ele conhecia os espaços internos e sabia como funcionários circulavam pelo prédio.

Naquele dia, o museu estava fechado ao público. Peruggia usou uma roupa branca semelhante às usadas pelos funcionários, retirou a obra do lugar onde estava exposta, removeu sua estrutura e saiu por uma área de serviço.

Quanto tempo demoraram para perceber o roubo?

Esse é um dos detalhes mais incríveis da história. A ausência não provocou alarme imediato.

Na manhã seguinte, um artista foi ao Louvre para estudar e copiar a Mona Lisa e encontrou o espaço vazio. Inicialmente, imaginou-se que o quadro poderia ter sido levado para uma sessão de fotografia ou alguma atividade interna.

Quando ficou claro que ninguém sabia onde a obra estava, o museu foi fechado e começou uma investigação gigantesca.

Por que o roubo tornou a Mona Lisa ainda mais famosa?

A pintura já era importante antes de 1911, mas o desaparecimento se transformou numa notícia internacional.

Jornais acompanharam a investigação, multidões foram ao Louvre olhar o espaço vazio e a imagem da obra passou a circular de forma massiva.

O crime ajudou a transformar uma pintura célebre em ícone popular reconhecido muito além do mundo da arte.

Quem era Vincenzo Peruggia?

Peruggia era italiano e havia trabalhado em Paris. Por conhecer o Louvre e ter participado de serviços ligados à proteção de obras, possuía familiaridade com o prédio.

Depois do roubo, manteve a Mona Lisa escondida por mais de dois anos. Em 1913, tentou negociar sua devolução na Itália e acabou preso em Florença.

Ele alegou uma motivação patriótica: acreditava que a pintura deveria estar na Itália. A justificativa tinha um problema histórico considerável, já que Leonardo da Vinci levou a obra para a França e ela não havia sido saqueada do país por Napoleão, como Peruggia dizia.

Quando a Mona Lisa voltou ao Louvre?

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Imagem: Prime Video

A obra foi recuperada em dezembro de 1913. Antes de retornar definitivamente a Paris, chegou a ser exibida na Itália.

Quando voltou ao Louvre, sua celebridade já era muito maior do que antes do crime.

Hoje, o caso de Peruggia continua sendo o roubo mais famoso envolvendo a pintura.

Masterplan conta a história de Peruggia?

Não. O filme não usa Roger como versão ficcional de Vincenzo Peruggia e não reproduz a operação de 1911.

Na verdade, as diferenças são enormes. Peruggia trabalhava praticamente sozinho, conhecia a estrutura do museu por experiência profissional e realizou um roubo surpreendentemente simples quando comparado ao espetáculo tecnológico imaginado em Masterplan.

O longa usa apenas o mesmo objeto de desejo: a Mona Lisa.

Existe alguma referência ao roubo de 1911?

A própria escolha da pintura inevitavelmente faz o público lembrar do caso histórico, mas não há indicação de que o roteiro tenha sido construído como reconstituição ou comentário direto sobre Peruggia.

O filme prefere brincar com uma fantasia moderna: como seria tentar roubar a Mona Lisa hoje, depois de décadas de avanço tecnológico, vigilância e controle de segurança?

Por que a Mona Lisa seria tão difícil de vender?

Porque fama funciona como sistema de segurança.

Uma obra pode valer centenas de milhões ou ser considerada praticamente inestimável, mas esse valor não significa que exista um comprador capaz de recebê-la discretamente. Quanto mais reconhecível é o objeto, mais difícil se torna movimentá-lo.

Masterplan usa justamente essa contradição no final. O quadro é valioso demais para ser vendido normalmente e famoso demais para circular sem risco.

Houve outro roubo real no Louvre enquanto Masterplan era filmado?

Sim — e essa coincidência aconteceu em 2025.

A produção de Masterplan já estava em andamento quando, em 19 de outubro de 2025, ladrões invadiram o Louvre e roubaram oito peças das Joias da Coroa Francesa na Galerie d’Apollon.

Segundo autoridades francesas citadas pela imprensa, o grupo usou um equipamento de elevação para alcançar uma janela e conseguiu deixar o museu em poucos minutos.

Eles roubaram a Mona Lisa em 2025?

Não. O alvo foram joias históricas, incluindo peças associadas à imperatriz Eugénie e à família de Napoleão.

A Mona Lisa permaneceu no museu. O crime apenas tornou o lançamento de um filme sobre roubar a obra ainda mais curioso um ano depois.

Masterplan foi inspirado pelo roubo de 2025?

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Imagem: Prime Video

Não poderia ter sido. As filmagens já estavam acontecendo antes do crime real.

Relatos da produção indicam que as câmeras estavam rodando em França e Itália dias antes do roubo do Louvre. O roteiro, naturalmente, havia sido escrito muito antes.

Portanto, trata-se de coincidência — bastante cinematográfica, mas ainda coincidência.

O roubo de 2025 prova que seria possível levar a Mona Lisa?

Não. As condições de segurança, localização e proteção da Mona Lisa são diferentes das de outras áreas e objetos do museu.

Também é importante separar um crime real de uma fantasia cinematográfica. Filmes de assalto reduzem, reorganizam ou inventam procedimentos de segurança porque precisam transformar sistemas complexos em narrativa visual.

Masterplan não deve ser entendido como demonstração de vulnerabilidades reais do Louvre.

Qual dos dois roubos é mais inacreditável?

O de 1911 talvez vença justamente pela simplicidade.

O cinema nos acostumou a imaginar sensores, hackers, túneis e equipes com especialidades diferentes. Peruggia conseguiu retirar a obra numa época em que a segurança de museus funcionava de maneira muito menos sofisticada.

É por isso que a história real combina tão bem com Masterplan. O longa precisa de quase duas horas, tecnologia e três golpistas para transformar o roubo em espetáculo. A vida real precisou de um homem, conhecimento interno e uma manhã de segunda-feira.

Masterplan é uma obra de ficção disponível no Prime Video. As informações históricas sobre o roubo de 1911 referem-se ao caso real de Vincenzo Peruggia e não à trama do filme.

Magui Schneider
Magui Schneider

Editora-chefe do Minha Série Favorita e psicóloga, com foco em análise de personagens, relações, comportamento e narrativas de séries, filmes e novelas.

Artigos: 374

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