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Crítica de Masterplan: Stanley Tucci rouba a cena, mas não consegue salvar o plano

Masterplan, disponível no Prime Video, quer ser muitas coisas ao mesmo tempo: filme de assalto, comédia europeia, reencontro familiar, brincadeira à la Onze Homens e um Segredo e vitrine para Stanley Tucci vestir ternos enquanto explica um crime impossível.

A última parte funciona muito bem. O restante oscila. Há um filme deliciosamente absurdo escondido aqui, mas Thomas Vincent demora demais para aceitar que a melhor coisa em sua história não é o plano de roubar a Mona Lisa. É o prazer de assistir três criminosos tentando descobrir se podem confiar uns nos outros enquanto cada um mente melhor do que o anterior.

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Stanley Tucci sabe exatamente qual filme gostaria de estar fazendo

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Imagem: Prime Video

Roger entra em cena com a segurança de alguém que acredita ser o homem mais inteligente do ambiente. Tucci não tenta dar realismo demais à figura. Ele entende que esse tipo de ladrão existe numa tradição cinematográfica feita de elegância, frases prontas, códigos secretos e um plano que parece brilhante porque é explicado com convicção.

É um papel sob medida para seu ritmo. O ator consegue tornar uma informação absurda plausível por alguns segundos apenas porque Roger a entrega como se estivesse comentando a temperatura de um vinho.

O problema é que o roteiro frequentemente exige que o espectador admire o plano antes de dar bons motivos para isso.

Simona Tabasco tem a melhor energia do trio

Chiara funciona porque parece desconfiar do próprio filme. Simona Tabasco dá à personagem uma agilidade que impede a especialista em tecnologia de virar apenas a pessoa que aperta teclas e anuncia que “entrou no sistema”.

Ela também encontra a ironia certa na suposta reunião familiar. Descobrir um pai e um irmão adultos já seria emocionalmente complicado; descobrir os dois enquanto planejam invadir o Louvre é exatamente o tipo de absurdo que o filme deveria abraçar com mais frequência.

Quando Chiara começa a suspeitar das histórias de Roger, a comédia e o suspense finalmente passam a trabalhar juntos.

Victor Belmondo traz charme, mas Jay demora para ganhar algo além da pose

Jay é explosivo em todos os sentidos. Ele gosta de risco, gosta de se exibir e parece transformar qualquer tarefa em competição.

Victor Belmondo tem presença suficiente para tornar isso divertido, mas o roteiro demora a encontrar o que existe abaixo da superfície. A relação com Roger deveria carregar abandono, raiva e necessidade de aprovação; durante boa parte do filme, essas emoções permanecem reduzidas a provocação.

O personagem melhora quando para de competir pela atenção do suposto pai e começa a perceber Chiara como parceira real.

A ideia da família é melhor que a ideia do roubo

O golpe mais interessante de Masterplan não está no Louvre. Está na identidade.

Roger sabe que Chiara e Jay cresceram sem conhecer o pai e usa essa ausência para construir confiança. A mentira funciona porque oferece algo emocionalmente valioso antes de oferecer dinheiro.

Quando o filme finalmente explora a crueldade disso, ganha uma camada que o plano tecnológico jamais alcança. Um bom golpista não invade apenas sistemas de segurança; invade aquilo que a vítima deseja acreditar.

O flerte inicial entre Chiara e Jay deixa uma sensação estranha

Há uma escolha de roteiro que se torna incômoda quando Roger afirma que os dois são irmãos. O encontro inicial trabalha certa química e sensualidade entre eles antes de deslocar a relação para a suposta fraternidade.

Como a história depois revela novas mentiras sobre o parentesco, é possível enxergar a provocação como parte da farsa. Ainda assim, o caminho é desnecessariamente esquisito e tira atenção de uma dinâmica que já teria humor suficiente sem isso.

É um daqueles casos em que a surpresa do roteiro cria um problema que o próprio filme precisa gastar energia para desfazer.

O Louvre deveria parecer impossível — mas o assalto nunca ganha esse peso

Para uma história construída em torno de roubar a obra mais famosa de um dos museus mais famosos do planeta, o golpe parece estranhamente pequeno em certos momentos.

Há túneis, dispositivos, infiltração digital, disfarces e um mecanismo visualmente engenhoso para transportar a pintura. Mas a encenação raramente produz a tensão que um roubo desse tamanho deveria carregar.

O terceiro ato melhora porque começa a usar as reviravoltas como parte da ação. Até ali, porém, o filme está sempre prometendo uma sequência mais esperta do que aquela que entrega.

A tecnologia envelhece antes mesmo dos créditos

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Imagem: Prime Video

Filmes de assalto adoram gadgets porque eles permitem transformar problemas complicados em gestos simples. Masterplan usa bastante essa lógica.

Alguns dispositivos são divertidos precisamente porque parecem impossíveis. Outros têm o efeito contrário: quanto mais o longa tenta parecer high-tech, mais barata fica a ilusão.

Quando o filme aceita a farsa, funciona. Quando tenta vender tudo como engenharia plausível, a suspensão de descrença começa a pedir aumento salarial.

Thomas Vincent encontra um tom, mas tarde demais

O diretor parece dividido entre fazer um thriller elegante e uma comédia assumidamente absurda. As melhores cenas aparecem quando ele escolhe a segunda opção sem abandonar completamente o risco.

Isso fica mais claro na reta final, quando falsas pinturas, traições, polícia de dois países e rotas de fuga se acumulam. Nesse momento, o filme entende que lógica impecável nunca foi a promessa.

A promessa era diversão.

O que nos arrebatou / O que escorregou

O que nos arrebatouO que escorregou
Stanley Tucci transformando Roger em prazer de assistirO roubo da Mona Lisa parece menor do que deveria
Simona Tabasco dando inteligência e ironia a ChiaraA tecnologia visualmente frágil
A mentira familiar como verdadeiro golpe do filmeA relação inicial entre Chiara e Jay é desnecessariamente estranha
As reviravoltas do terceiro atoO ritmo demora demais para chegar às melhores ideias
O tom europeu de comédia criminalPersonagens emocionais menos desenvolvidos do que a trama pede

Olhar humano: a família que nasce de uma mentira

O que salva emocionalmente Masterplan é uma ironia bastante simples. Roger inventa uma família porque precisa manipular duas pessoas. Depois passa tempo suficiente com elas para sentir algo parecido com aquilo que fingiu.

Chiara e Jay também começam buscando aprovação de um pai recém-descoberto e terminam construindo confiança entre si e, de forma torta, com o homem que os enganou.

Não é uma reflexão profunda sobre abandono. Mas dá ao último ato uma humanidade que o filme não encontra quando está ocupado demais admirando seus gadgets.

Elenco e atmosfera

Tucci é o centro de gravidade, Tabasco dá velocidade e Belmondo oferece o tipo de charme ligeiramente inconsequente que o gênero exige. Juntos, funcionam melhor nos intervalos do plano do que durante suas explicações.

Visualmente, a produção tenta recuperar uma Europa cinematográfica feita de carros bonitos, hotéis, restaurantes e corredores históricos. A França e a Itália entram menos como lugares reais e mais como fantasia internacional de filme de assalto.

Veredito do coração

Masterplan é esquecível, mas não desagradável. Existe uma diferença importante entre as duas coisas.

Stanley Tucci consegue fazer o tempo passar, Simona Tabasco encontra graça onde o roteiro às vezes só oferece função e o terceiro ato finalmente entrega a brincadeira prometida pelo título. Só que um filme sobre roubar a Mona Lisa deveria deixar a sensação de que vimos algo um pouco mais impossível.

Nota: 2,5 de 5 estrelas. ⭐⭐½☆☆

Pacto de respeito à arte: esta crítica analisa roteiro, atuações, humor e escolhas de encenação. Masterplan está disponível legalmente no Prime Video.

Magui Schneider
Magui Schneider

Editora-chefe do Minha Série Favorita e psicóloga, com foco em análise de personagens, relações, comportamento e narrativas de séries, filmes e novelas.

Artigos: 374

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