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Uma Chamada Perdida: diferenças entre o remake de 2008 e o original japonês

Uma Chamada Perdida, de 2008, não nasceu como uma história original de Hollywood. O terror de Eric Valette é um remake de Chakushin Ari, filme japonês dirigido por Takashi Miike e lançado em 2003, que por sua vez adapta o romance de Yasushi Akimoto.

A premissa permanece quase intacta: jovens recebem mensagens enviadas pelos próprios celulares, datadas no futuro, com o som exato de suas mortes. Mas, conforme a investigação avança, as diferenças ficam maiores — principalmente na identidade das personagens, na maneira como a família por trás da maldição é tratada e no final.

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Qual filme veio primeiro?

O original japonês é Chakushin Ari, conhecido internacionalmente como One Missed Call. Foi dirigido por Takashi Miike e estreou no Japão no início dos anos 2000.

A história tem como base o romance de Yasushi Akimoto. O sucesso do longa gerou continuações japonesas e, depois, a adaptação americana de 2008.

O remake foi dirigido por Eric Valette, com roteiro de Andrew Klavan.

Beth substitui Yumi no remake

No original, a protagonista é Yumi Nakamura, interpretada por Ko Shibasaki. No remake americano, ela se torna Beth Raymond, vivida por Shannyn Sossamon.

As duas compartilham elementos fundamentais: acompanham amigos morrendo depois de mensagens impossíveis, tornam-se próximas da investigação e carregam experiências traumáticas relacionadas à própria mãe.

Mas o destino das duas é diferente. Beth termina como sobrevivente. Yumi participa de um desfecho muito mais ambíguo e perturbador.

Jack Andrews corresponde a Hiroshi Yamashita

Edward Burns interpreta Jack Andrews, policial cuja irmã morreu ligada à mesma sequência de chamadas. No original, a investigação é conduzida ao lado de Hiroshi Yamashita.

Os dois personagens cumprem função semelhante: são homens que acreditam na protagonista porque também possuem uma conexão pessoal com a maldição.

O destino, porém, muda. Jack morre no remake. O final de Yamashita é muito mais estranho e está diretamente ligado ao estado de Yumi.

Marie e Mimiko não funcionam da mesma maneira

No remake, a família central é formada por Marie, Laurel e Ellie Layton. A investigação inicialmente faz Marie parecer a agressora, mas depois revela que Ellie machucava Laurel.

No original, os nomes são Marie, Nanako e Mimiko Mizunuma. Mimiko é quem machuca a irmã mais nova e morre durante uma crise de asma depois que Marie descobre o abuso.

A estrutura básica foi preservada, mas o remake simplifica a oposição sobrenatural: Ellie representa a ameaça, enquanto Marie assume uma função protetora no final.

O doce vermelho já existia no original?

Sim. O doce é um dos elementos mantidos na adaptação.

No original, Mimiko dava doces à irmã para que ela ficasse em silêncio sobre os abusos. O objeto reaparece nas vítimas da maldição.

O remake preserva a mesma lógica com Ellie e Laurel, transformando o doce numa assinatura visual facilmente reconhecível.

A cena do programa de TV também vem do original?

Sim. A ideia de transformar uma vítima marcada pela maldição em atração televisiva já existia no longa japonês.

No original, Natsumi aceita participar de uma tentativa de exorcismo transmitida ao vivo. O remake reaproveita a lógica com outra construção visual e mantém a crítica ao espetáculo criado em torno da morte iminente.

O remake mostra mais os monstros

A versão americana acrescenta e enfatiza manifestações sobrenaturais mais explícitas: rostos distorcidos, criaturas e imagens digitais que materializam o horror.

Miike trabalha com estranheza de outra maneira. Mesmo quando mostra algo impossível, a atmosfera tende a permanecer mais ambígua e menos interessada em transformar cada susto numa criatura visível.

Essa diferença ajuda a explicar por que muitas pessoas consideram o original mais inquietante, ainda que os dois compartilhem diversas cenas e ideias.

O final é a maior diferença

No remake de 2008, Beth descobre que Ellie era a verdadeira responsável pelos abusos contra Laurel. Marie interfere no ataque sobrenatural e salva Beth. Jack é morto, e a última chamada confirma que a maldição continua.

No filme japonês, Yumi parece sobreviver ao encontro com Marie, mas o desfecho torna tudo muito mais perturbador. Yamashita encontra Yumi aparentemente normal, é atacado e depois desperta no hospital com ela ao lado.

A cena final sugere que Mimiko está presente em Yumi. Em vez de uma separação limpa entre fantasma agressor e protagonista sobrevivente, Miike termina misturando as duas.

Por que Hollywood mudou o final?

Não existe uma única declaração que explique toda a decisão, mas a mudança segue uma característica comum de vários remakes americanos de J-horror daquele período: tornar a lógica sobrenatural mais legível e oferecer papéis morais mais definidos.

No remake, sabemos quem é a ameaça e quem tenta proteger Beth. No original, a identidade, a possessão e o destino da protagonista permanecem muito mais desconfortáveis.

Qual versão é mais assustadora?

Depende do tipo de terror que funciona melhor para você.

O remake é mais rápido, direto e visual. Apresenta regras de maneira clara e conduz a investigação como um terror sobrenatural acessível.

O original é mais longo, estranho e disposto a terminar sem organizar confortavelmente suas peças. Para quem gosta de J-horror, essa sensação de que alguma coisa continua errada depois dos créditos costuma ser justamente o que permanece.

Vale assistir ao original depois do remake?

Sim. Mesmo conhecendo a identidade por trás da maldição, o filme de Takashi Miike oferece uma experiência suficientemente diferente para não parecer apenas a mesma história em japonês.

E existe outra vantagem: o original abre a porta para a franquia japonesa, que continuou em One Missed Call 2 e One Missed Call Final.

Se o remake de 2008 despertou curiosidade, voltar a Chakushin Ari é a melhor maneira de entender de onde veio o toque de celular que transformou uma chamada perdida em ameaça.

Magui Schneider
Magui Schneider

Editora-chefe do Minha Série Favorita e psicóloga, com foco em análise de personagens, relações, comportamento e narrativas de séries, filmes e novelas.

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