Um Sonho Possível Filme

Um Sonho Possível é um filme racista ou realmente são fatos reais?

Em 2009, o filme Um Sonho Possível (The Blind Side) capturou o coração de milhões, contando a história inspiradora de um adolescente negro desamparado adotado por uma família branca e abastada, que o ajuda a alcançar o estrelato da NFL. Baseado na vida real de Michael Oher e na família Tuohy, o filme foi um fenômeno de bilheteria e rendeu a Sandra Bullock um Oscar por sua atuação. Mas há uma realidade complexa por trás do filme.

Desde o início, é essencial esclarecer que o filme “Um Sonho Possível” é uma representação de Hollywood, desenhada para apelar ao público e simplificar uma narrativa intrincada. Michael Oher não era apenas um jovem perdido até conhecer os Tuohys. Ele já tinha habilidades no futebol muito antes deles entrarem em sua vida, uma caracterização que Oher sempre contestou.

O filme destaca o esporte como a ferramenta mágica que impulsiona Oher, dando-lhe confiança e propósito. Oher é frequentemente retratado como um gigante gentil, com pouca compreensão do mundo e sem agência sobre sua própria vida.

O retrato de um Oher ingênuo que precisava que o jovem Sean Jr. lhe ensinasse o básico do futebol, usando garrafas de condimentos, é uma visão distorcida e simplificada da verdade.

Racismo embutido

O que é mais perturbador é o modo como o filme Um Sonho Possível se inclina em clichês raciais simplificados. A representação de Oher é problemática; ele é frequentemente mostrado como uma figura dócil, moldada e guiada pelos Tuohys.

Em uma sequência memorável, Leigh Anne Tuohy, interpretada por Bullock, instrui Oher a proteger o quarterback da mesma forma que ele a protegeu. Esta representação reducionista faz com que seja difícil discernir a verdade por trás do recente processo de Oher contra os Tuohys.

A versão de Michael Oher

Segundo as alegações de Oher, a relação calorosa retratada no filme Um Sonho Possível era uma ilusão. Ele acusa a família de se beneficiar dele e de influenciar suas decisões financeiras. Enquanto os Tuohys defendem que suas ações eram necessárias para a elegibilidade de Oher jogar futebol na Universidade de Mississippi, fica evidente que a história real é muito mais matizada do que o conto de fadas apresentado no filme.

Em meio a toda essa controvérsia, é importante lembrar que a narrativa de Hollywood nem sempre reflete a realidade. “The Blind Side” é, sem dúvida, uma história inspiradora sobre superação e os laços formados através do esporte.

No entanto, a realidade de Michael Oher e sua relação com a família Tuohy é infinitamente mais complexa. Em vez de aceitar a versão simplificada da tela grande, é essencial procurar a verdade, mesmo que ela seja mais complicada e menos cinematográfica.

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Priscilla Kinast

Priscilla Kinast

Priscilla é redatora de web sites há cerca de 8 anos, tendo ao todo 15 anos de experiência com produção de conteúdo para a internet. Graduada em Administração de Empresas (Faculdade Dom Bosco de Porto Alegre), encontrou sua verdadeira paixão na administração de websites. Devido sua experiência com redação de conteúdo, obteve registro profissional como jornalista pelo Ministério do Trabalho (Registro Profissional: 0020361/RS).

Apaixonada por séries e filmes de ficção científica, suspense psicológico, dramas e comédias.
As séries favoritas são Sense8, Black Mirror, Orphan Black e The 100. E para além das ficções, gosto também de Orange Is The New Black, How I Met You Mother, Grey's Anatomy, Breaking Bad, Anne with an E, entre outras.
Já no que se trata de filmes, os melhores em sua opinião são Interestellar, Efeito Borboleta, Matrix, A Ilha do Medo, Projeto Almanaque, Onde Está Segunda, Eu Sou a Lenda, etc.