Breaking Bad foi eleita a melhor série do século 21 em uma votação organizada pelo jornal americano The New York Times, que divulgou nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, a lista completa das 100 produções escolhidas. Mais de 500 profissionais ligados à televisão participaram da seleção, que reúne dramas, comédias, suspenses, documentários e produções que marcaram diferentes gerações de espectadores. The Wire e Mad Men completam as três primeiras posições, enquanto Succession e Fleabag aparecem logo em seguida.
É difícil olhar para uma lista assim sem procurar imediatamente aquela série que nos fez perder o sono, comentar episódios com os amigos ou permanecer em silêncio diante da televisão depois de um final particularmente marcante. Algumas escolhas parecem familiares. Outras podem surpreender, especialmente quando produções recentes aparecem ao lado de histórias que acompanhamos há mais de vinte anos.
Mas o levantamento também oferece uma oportunidade interessante: revisitar a transformação da televisão desde os anos 2000 e descobrir histórias que talvez tenham passado despercebidas. A seguir, explicamos como a votação foi realizada, quais séries chegaram às primeiras posições e apresentamos a relação completa divulgada pelo jornal.
Como o The New York Times escolheu as 100 melhores séries do século?
A seleção não foi feita exclusivamente pelos críticos do jornal. O The New York Times convidou profissionais que trabalham com televisão para indicar as produções que consideravam mais importantes desde o início dos anos 2000.
Ao todo, 516 pessoas participaram da votação, incluindo atores, roteiristas, criadores, produtores e profissionais de diferentes áreas da televisão. Cada participante pôde escolher até dez títulos, sem restrições de idioma ou formato. Depois, os votantes também tiveram a oportunidade de comparar pares de séries selecionados aleatoriamente. Os resultados dessas comparações foram combinados aos votos para estabelecer a classificação final.
Entre os participantes estavam:
| Profissional | Conhecido por |
|---|---|
| Bryan Cranston | Breaking Bad |
| Elisabeth Moss | Mad Men e O Conto da Aia |
| Adam Scott | Ruptura e Parks and Recreation |
| Jason Bateman | Ozark e Arrested Development |
| Colman Domingo | Euphoria |
| Rose Byrne | Damages |
| Damon Lindelof | Lost e The Leftovers |
| Lena Dunham | Girls |
| Lena Waithe | Master of None |
| Noah Hawley | Fargo |
O levantamento considera séries que estrearam a partir de 1º de janeiro de 2000. Por isso, uma produção tão associada à transformação da televisão quanto Família Soprano não aparece na relação: sua estreia aconteceu em 1999.
A regra não excluiu produções que começaram na televisão tradicional e posteriormente chegaram ao streaming. Também permitiu a presença de documentários, reality shows, programas de humor e minisséries.
Essa variedade ajuda a explicar por que títulos tão diferentes acabaram dividindo espaço.
Por que Breaking Bad ficou em primeiro lugar?
Criada por Vince Gilligan, Breaking Bad foi exibida entre 2008 e 2013 e acompanha Walter White, um professor de química que começa a produzir metanfetamina depois de receber um diagnóstico de câncer. O personagem interpretado por Bryan Cranston inicialmente apresenta suas decisões como uma maneira de garantir o futuro financeiro da família. Entretanto, sua trajetória revela uma transformação muito mais complicada.
Ao longo de cinco temporadas, Walter deixa de ser um homem aparentemente comum e passa a construir uma organização criminosa. Quanto mais poder conquista, mais difícil se torna sustentar a ideia de que suas escolhas são motivadas exclusivamente pelo bem-estar das pessoas que ama. Essa transformação permite que o público acompanhe a deterioração moral do protagonista de maneira gradual.
Breaking Bad nos coloca diante de uma pergunta desconfortável: em que momento deixamos de compreender as decisões de alguém e começamos a justificá-las? O episódio Ozymandias, o 14º da quinta temporada, permanece entre os capítulos mais lembrados da produção. Nele, as consequências das escolhas de Walter alcançam um ponto de ruptura e atingem diretamente sua família.
A primeira posição no levantamento do New York Times representa o resultado da votação dos profissionais consultados. Não significa que exista uma resposta definitiva sobre qual produção deve ser considerada a maior da história da televisão. Mas oferece um retrato interessante das histórias que permaneceram na memória de pessoas que trabalham justamente para criá-las.
Quais séries completam o Top 10 do The New York Times?
A segunda posição ficou com The Wire, drama policial exibido entre 2002 e 2008 que retrata a cidade de Baltimore a partir das relações entre polícia, tráfico de drogas, política, educação e imprensa. Diferentemente de histórias que concentram seus conflitos em um único protagonista, The Wire apresenta diferentes instituições e mostra como suas decisões afetam a vida das pessoas.
Logo depois aparece Mad Men, que acompanha o universo da publicidade americana nos anos 1960, com Jon Hamm interpretando Don Draper. A produção trabalha com as transformações culturais daquele período, os papéis sociais atribuídos às mulheres, o casamento e a distância entre a identidade que mostramos ao mundo e aquilo que tentamos esconder.
Succession ocupa a quarta posição. O drama da HBO acompanha uma família bilionária em disputa pelo controle de um conglomerado de comunicação, explorando as relações entre afeto, dinheiro e poder. Já Fleabag, em quinto lugar, leva a lista para um território bastante diferente.
Criada e protagonizada por Phoebe Waller-Bridge, a comédia dramática acompanha uma mulher que tenta lidar com o luto, a culpa e suas dificuldades de estabelecer relações íntimas. A protagonista conversa diretamente com o público, criando uma sensação de cumplicidade que se transforma à medida que conhecemos melhor sua história.
As dez primeiras posições
| Posição | Série | Estreia |
|---|---|---|
| 1º | Breaking Bad | 2008 |
| 2º | The Wire | 2002 |
| 3º | Mad Men | 2007 |
| 4º | Succession | 2018 |
| 5º | Fleabag | 2016 |
| 6º | Game of Thrones | 2011 |
| 7º | Veep | 2012 |
| 8º | 30 Rock | 2006 |
| 9º | Curb Your Enthusiasm | 2000 |
| 10º | Atlanta | 2016 |
Game of Thrones, Veep, 30 Rock, Curb Your Enthusiasm e Atlanta completam as dez primeiras posições, reunindo desde fantasia épica até comédias sobre trabalho, convivência e desigualdades sociais.
E existe um detalhe curioso: o levantamento coloca lado a lado produções muito diferentes em duração e proposta. Fleabag encerrou sua história em apenas duas temporadas, enquanto Curb Your Enthusiasm permaneceu no ar por mais de duas décadas.
A lista também mostra que uma série não precisa ter dezenas de episódios para permanecer na memória de quem a assistiu.
As 100 melhores séries do século 21
A relação abaixo segue a ordem divulgada pelo jornal, com os títulos brasileiros quando identificáveis. A classificação pertence ao levantamento do The New York Times, não a uma avaliação independente do Minha Série Favorita.
Para facilitar a consulta, mantivemos também os títulos originais de produções que são mais conhecidas pelo nome em inglês.
- Breaking Bad
- The Wire
- Mad Men
- Succession
- Fleabag
- Game of Thrones
- Veep
- 30 Rock
- Curb Your Enthusiasm
- Atlanta
- The Office (Estados Unidos)
- Arrested Development
- Girls
- Friday Night Lights
- A Sete Palmos (Six Feet Under)
- The Office (Reino Unido)
- The Americans
- I May Destroy You
- Chernobyl
- The Crown
- The White Lotus
- Lost
- The Comeback: O Retorno
- Deadwood
- The Leftovers
- Black Mirror
- Better Call Saul
- Irmãos de Guerra (Band of Brothers)
- Key & Peele
- Ruptura (Severance)
- Survivor
- Andor
- Enlightened
- Schitt’s Creek
- True Detective
- The Pitt
- Battlestar Galactica
- Homeland: Segurança Nacional
- Watchmen
- Adolescência
- Louie
- Hacks
- Peaky Blinders
- BoJack Horseman
- Happy Valley
- Broad City: A Cidade das Minas
- Twin Peaks: O Retorno
- House of Cards
- Pessoas Normais (Normal People)
- Parks and Recreation
- The Good Place
- Downton Abbey
- Stranger Things
- The Bureau
- Insecure
- Nathan for You
- I Think You Should Leave
- Chappelle’s Show
- PEN15
- Peep Show
- RuPaul’s Drag Race
- Slow Horses
- The Thick of It
- Anthony Bourdain: Parts Unknown
- Mare of Easttown
- The Rehearsal
- O Conto da Aia
- Ozark
- Anthony Bourdain: No Reservations
- The Shield
- Treta (Beef)
- Round 6 (Squid Game)
- Barry
- O Urso (The Bear)
- Ted Lasso
- Alguém em Algum Lugar
- Modern Family
- It’s Always Sunny in Philadelphia
- The Good Wife
- How to with John Wilson
- O Gambito da Rainha
- Better Things
- Justified
- Planeta Terra
- The Great British Baking Show
- Xógum: A Gloriosa Saga do Japão
- Reservation Dogs
- Dexter
- Bebê Rena
- Eastbound & Down
- Catastrophe
- The Night Of
- Estação Onze
- A Diplomata
- House
- Halt and Catch Fire
- Community
- The OA
- Gilmore Girls
- Escândalos: Os Bastidores do Poder (Scandal)
O que a lista revela sobre as histórias que continuamos assistindo?
É interessante perceber quantas produções escolhidas pelo jornal falam sobre famílias, relações de poder e pessoas tentando encontrar seu lugar em ambientes que parecem exigir algo delas o tempo inteiro.
Breaking Bad acompanha um homem que usa a proteção familiar para justificar suas escolhas. Succession apresenta filhos tentando conquistar o reconhecimento de um pai que transforma afeto em instrumento de controle.
Em Fleabag, a dificuldade é estabelecer intimidade depois de uma perda. Já The Bear acompanha personagens que precisam trabalhar juntos enquanto carregam conflitos que ultrapassam os limites da cozinha.
As histórias são distintas, mas compartilham preocupações humanas reconhecíveis. Ao mesmo tempo, a presença de comédias como The Office, Modern Family e The Good Place lembra que a televisão também nos acompanha nos dias comuns, quando tudo o que queremos é encontrar algum humor nas complicações da vida.
Uma série pode terminar depois de poucos episódios e continuar fazendo parte das nossas conversas por muitos anos. Talvez seja essa uma das razões pelas quais listas como a do New York Times despertam tanta curiosidade. Não estamos apenas procurando títulos para assistir. Também estamos reencontrando personagens que fizeram parte de diferentes momentos da nossa vida.
E, entre as cem produções escolhidas, certamente haverá alguma que você sempre ouviu mencionar, mas ainda não encontrou tempo para conhecer.



