Matthew Perry morreu em 28 de outubro de 2023, aos 54 anos, devido aos efeitos agudos da cetamina. O documentário Aquele Sobre Matthew Perry, disponível na Netflix, dedica seu terceiro episódio às circunstâncias da morte do ator e à investigação federal que terminou com cinco pessoas condenadas por crimes relacionados ao fornecimento ilegal da droga.
A história exige cuidado porque a cetamina também é usada legalmente em contextos médicos. Perry havia recebido tratamento supervisionado com a substância para depressão, mas a investigação concluiu que, nas semanas anteriores à morte, ele passou a obter e usar cetamina fora desse acompanhamento.
Atenção: este texto aborda dependência química, overdose e morte.
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Qual foi a causa da morte de Matthew Perry?

O médico legista do condado de Los Angeles determinou que a principal causa foi o efeito agudo da cetamina.
Também foram listados como fatores contribuintes o afogamento, doença arterial coronariana e os efeitos da buprenorfina, medicamento usado no tratamento da dependência de opioides.
A morte foi classificada oficialmente como acidente.
Onde Matthew Perry foi encontrado?
Perry foi encontrado sem vida na banheira de hidromassagem de sua casa em Los Angeles em 28 de outubro de 2023.
Nas primeiras horas, pessoas próximas acreditaram que ele poderia ter sofrido um problema cardíaco e se afogado. A presença de cetamina em níveis elevados só ficou clara depois dos exames toxicológicos.
Matthew Perry fazia tratamento com cetamina?
Sim. Perry havia usado cetamina sob supervisão médica no tratamento de depressão.
O ponto central da investigação é que a cetamina associada à morte não fazia parte de uma sessão médica supervisionada. Segundo promotores federais, Perry passou a buscar fontes adicionais e ilegais da substância.
Como começou o uso de drogas de Matthew Perry?
Perry falou extensamente sobre dependência ao longo da vida. O documentário destaca um acidente de jet ski durante as filmagens de Fools Rush In, em 1997. Depois da lesão, recebeu um analgésico opioide e descreveu a sensação de euforia como um ponto importante na evolução de seu uso de medicamentos.
Isso não significa que toda a história possa ser reduzida a um único acidente. Perry também enfrentava abuso de álcool e uma relação complexa com ansiedade, depressão, fama e intimidade.
O que aconteceu em 2018?
Em 2018, Perry sofreu uma perfuração no cólon e desenvolveu sepse. Ficou em coma e precisou ser colocado em uma máquina ECMO, usada em situações extremamente graves para auxiliar coração e pulmões.
Segundo o próprio ator, suas chances de sobreviver naquela noite eram de aproximadamente 2%. Ele conseguiu se recuperar, mas passou meses hospitalizado e sofreu diversas consequências médicas.
Durante esse período, Mia Perry Bowick foi nomeada para tomar decisões médicas pelo irmão.
O que aconteceu nas semanas antes da morte?
Documentos judiciais e a investigação federal mostraram uma escalada no uso de cetamina durante setembro e outubro de 2023.
O assistente pessoal de Perry, Kenneth Iwamasa, ajudava a obter a substância e passou a aplicá-la, apesar de não ter formação médica.
O médico Salvador Plasencia vendeu frascos de cetamina e seringas e ensinou Iwamasa a aplicar a droga. Segundo promotores, Plasencia sabia do histórico de dependência de Perry e cobrava valores muito acima do preço normal.
Quem forneceu a cetamina que matou Matthew Perry?
A investigação concluiu que a cetamina fatal veio de Jasveen Sangha, traficante conhecida como “Ketamine Queen”.
A droga chegou a Perry por meio do intermediário Erik Fleming. Iwamasa administrou ao ator pelo menos três injeções no dia de sua morte.
Plasencia participou do fornecimento ilegal de cetamina em semanas anteriores, mas o Departamento de Justiça esclareceu que ele não forneceu a dose específica que causou a morte.
Quem recebeu a acusação pela morte de Matthew Perry?
Cinco pessoas acabaram envolvidas criminalmente no caso:
- Kenneth Iwamasa, assistente pessoal de Perry.
- Jasveen Sangha, traficante que forneceu a cetamina fatal.
- Salvador Plasencia, médico que vendeu cetamina ilegalmente.
- Mark Chavez, médico que forneceu cetamina a Plasencia.
- Erik Fleming, intermediário que obteve droga de Sangha.
O que aconteceu com Jasveen Sangha?
Sangha recebeu a condenação de 15 anos de prisão federal. Ela admitiu participação no fornecimento da cetamina que acabou causando a morte de Perry.
O caso mostrou que sua residência também era utilizada para armazenar e distribuir outras drogas.
Qual foi a condenação do médico Salvador Plasencia?
Plasencia recebeu a condenação a 30 meses de prisão federal depois de se declarar culpado por quatro acusações de distribuição de cetamina.
Ele também entregou sua licença médica. Os promotores afirmaram que vendeu cetamina a Perry apesar de conhecer seu histórico de dependência e saber que o assistente aplicaria a droga sem supervisão profissional.
O que aconteceu com Kenneth Iwamasa?
Iwamasa recebeu a condenação em maio de 2026 a 41 meses de prisão federal, além de multa de US$ 10 mil.
Ele admitiu ter obtido e administrado cetamina a Perry. Segundo o Departamento de Justiça, aplicou pelo menos três doses no dia da morte e depois tentou esconder das autoridades a extensão do uso da droga.
Quais foram as penas de Erik Fleming e Mark Chavez?
Erik Fleming recebeu pena de dois anos de prisão. Mark Chavez foi condenado a três anos de liberdade condicional, oito meses de prisão domiciliar e 300 horas de serviço comunitário.
Chavez também entregou sua licença médica.
Por que Mia Perry Bowick acompanhou os julgamentos?
Mia decidiu acompanhar o processo porque a investigação havia acrescentado ao luto uma sensação de que pessoas próximas ao irmão haviam se aproveitado da vulnerabilidade dele.
No documentário, ela descreve o encerramento dos processos como uma forma de catarse. Não é apresentado como algo capaz de resolver a perda, mas como um momento em que uma parte da história finalmente recebe consequência jurídica.
O documentário culpa Matthew Perry?

Não. Também não apaga que Perry buscou cetamina fora do tratamento médico.
A série tenta sustentar duas verdades ao mesmo tempo: Perry era um adulto com agência e uma longa história de dependência; e algumas pessoas ao redor dele lucraram com essa vulnerabilidade, forneceram drogas ilegalmente ou facilitaram um uso perigoso.
Essa distinção é importante para não transformar dependência em culpa moral nem apagar responsabilidades criminais reconhecidas pela Justiça.
Como Matthew Perry queria ser lembrado?
Nos últimos anos, Perry dizia que gostaria de ser lembrado principalmente por ajudar pessoas com dependência. Ele transformou uma antiga residência em espaço voltado à recuperação e participou de campanhas em defesa de alternativas de tratamento no sistema judicial.
Seu livro de memórias, publicado em 2022, também tinha esse propósito: contar o que viveu de maneira suficientemente aberta para que alguém em situação semelhante pudesse se reconhecer.
Aquele Sobre Matthew Perry termina justamente nesse ponto difícil. A doença que ele passou anos tentando compreender contribuiu para sua morte. Ao mesmo tempo, a franqueza com que falou sobre ela ajudou outras pessoas a buscar tratamento — e essa parte de sua história não desaparece por causa do modo como terminou.
Aquele Sobre Matthew Perry está disponível legalmente na Netflix.




[…] Como Matthew Perry morreu? Cetamina, investigação e o que o documentário revela […]
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