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100 Dias de Mentira: história, elenco e o que saber sobre o novo K-drama da Netflix

100 Dias de Mentira, disponível na Netflix, começa em 1932, quando a Coreia ainda estava sob domínio colonial japonês, e coloca uma batedora de carteiras no centro de uma operação que mistura espionagem, resistência e romance.

Kim Yoo-jung interpreta Lee Ga-kyung, uma jovem que aprendeu a sobreviver enganando pessoas nas ruas de Gyeongseong, atual Seul. O que ela quer no início não é virar heroína nacional.

Quer dinheiro.

Quer sair dali.

E quer ter alguma chance de escolher o próprio destino.

O problema é que uma série de roubos, encontros e decisões ruins a aproxima do movimento de independência coreano. A partir daí, sua habilidade para mentir deixa de servir apenas à sobrevivência e passa a ser utilizada numa missão muito mais perigosa.

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Por que Ga-kyung se torna espiã?

Ga-kyung é conhecida como uma das melhores batedoras de carteira de Gyeongseong. Ela rouba porque vive num mundo em que oportunidades não estão distribuídas de maneira igual e porque sonha em escapar da realidade colonial que a cerca.

O contato com o grupo de resistência Gugukdan acontece quase por acidente.

Uma bolsa roubada a coloca no caminho de Yoo So-ran, interpretada por Kim Hyun-joo, mulher ligada à luta pela independência e movida também por uma vingança profundamente pessoal contra Sato Shinichi.

Ga-kyung não entra imediatamente para a resistência por idealismo.

Essa é uma das ideias mais interessantes da série.

Ela começa olhando para a própria sobrevivência.

Depois é obrigada a perceber que a ocupação que sempre tentou contornar individualmente também determina a vida de todas as pessoas ao redor.

O que significam os “100 dias” do título?

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Imagem: Netflix

A missão central se constrói em torno de um prazo.

Ga-kyung precisa se infiltrar por aproximadamente 100 dias no Governo-Geral japonês em Gyeongseong.

Ela assume outra identidade, entra como intérprete em treinamento e passa a procurar informações estratégicas que possam ajudar a resistência.

O título original coreano, 100일의 거짓말, se aproxima literalmente de “100 dias de mentiras”.

É um nome adequado porque praticamente todos os personagens importantes estão escondendo alguma coisa.

Ga-kyung mente sobre quem é.

Kim Tae-woong vive sob um nome japonês.

Yoo So-ran mantém uma fachada social.

E o próprio romance nasce num ambiente em que dizer a verdade pode significar morrer.

Quem é Kim Tae-woong, também chamado de Sato Hideo?

Park Jin-young interpreta um dos personagens mais complexos da série.

Ele nasceu coreano como Kim Tae-woong, mas foi adotado por Sato Shinichi, alto funcionário do governo colonial japonês.

Depois da adoção, passa a viver como Sato Hideo.

É fluente em coreano, japonês e inglês e trabalha como intérprete dentro da administração colonial.

Isso o coloca numa posição desconfortável.

Para os japoneses, nunca é completamente japonês.

Para muitos coreanos, parece alguém que escolheu servir ao sistema que oprime seu próprio povo.

Esse conflito de identidade é uma das razões pelas quais sua relação com Ga-kyung pode se tornar muito mais complicada do que um simples romance entre inimigos.

Por que Ga-kyung e Hideo começam mentindo um para o outro?

Porque ambos têm motivos para desconfiar.

Ga-kyung entra no Governo-Geral sob identidade falsa e precisa se aproximar dele como parte da missão.

Ao mesmo tempo, Sato Shinichi pede ao filho adotivo que conquiste a confiança dela.

Ou seja:

os dois são orientados a manipular um ao outro.

O teaser oficial da tvN deixa isso muito claro. Ga-kyung chega a fazer uma declaração de amor enquanto cruza os dedos atrás das costas.

A série promete exatamente essa mudança:

uma mentira dita para sobreviver pode eventualmente se tornar um sentimento verdadeiro.

Kim Hyun-joo interpreta Yoo So-ran

Kim Hyun-joo não está aqui apenas como mentora da protagonista.

Yoo So-ran é apresentada como uma atiradora ligada ao movimento de independência e guarda uma razão pessoal para querer matar Sato Shinichi.

O primeiro episódio já mostra que ela está disposta a sacrificar a própria vida para cumprir a missão.

É uma personagem importante porque representa aquilo que Ga-kyung ainda não é no começo:

alguém que transformou a dor pessoal em compromisso político.

Quem completa o elenco principal?

Lee Moo-saeng interpreta Yoo Philip, correspondente em Gyeongseong de uma agência de notícias norte-americana e parceiro de So-ran.

Jin Sun-kyu vive Sato Shinichi, figura poderosa dentro do Governo-Geral e pai adotivo de Hideo.

O elenco também inclui Seo Jeong-yeon, Choi Deok-moon, Park Jung-yeon, Kim In-kwon e outros nomes ligados aos diferentes lados da disputa política.

Isso é importante porque a série não organiza seus personagens em dois blocos simples de “bons coreanos” e “maus japoneses”.

As identidades políticas, familiares e nacionais entram constantemente em conflito.

100 Dias de Mentira é baseada em fatos reais?

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Imagem: Netflix

A história de Ga-kyung, Tae-woong e Sato Shinichi é ficcional.

Mas o mundo em que eles vivem é profundamente histórico.

A Coreia esteve formalmente anexada ao Império Japonês entre 1910 e 1945.

Gyeongseong era o nome colonial de Seul.

O Governo-Geral da Coreia realmente concentrava enorme autoridade administrativa e policial.

E grupos de independência utilizaram espionagem, atentados, coleta de recursos e operações clandestinas contra o domínio japonês.

Em 1932, o movimento de resistência atravessava um período particularmente intenso, marcado inclusive por ações de independência fora da península e pelo avanço militar japonês na Manchúria.

A série usa essa realidade para construir personagens ficcionais.

O Gugukdan existiu de verdade?

A resposta exige cuidado.

Existiram organizações coreanas chamadas Gugukdan, ou “Corpo de Salvação Nacional”, durante a luta pela independência. Uma delas foi organizada em 1920 para apoiar o Governo Provisório da República da Coreia e acabou descoberta pelas autoridades japonesas no ano seguinte.

Mas não há evidência de que o grupo mostrado na série em 1932 seja uma reprodução literal daquela organização histórica.

O mais seguro é tratá-lo como uma organização ficcional ou composta, inspirada nas muitas redes clandestinas que atuaram contra o domínio colonial.

Quem dirige e escreve 100 Dias de Mentira?

A direção é de Yoo In-sik, conhecido por trabalhos como Uma Advogada Extraordinária e pela franquia Dr. Romantic.

O roteiro é de Ryu Bo-ri, autora de Do You Like Brahms?.

A Netflix também credita Kim Youn-jin entre os criadores.

A produção integra as comemorações dos 20 anos da tvN, o que ajuda a explicar o tamanho do elenco e a ambição visual do drama.

Quantos episódios tem 100 Dias de Mentira?

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Imagem: Netflix

A primeira temporada terá 16 episódios.

Dois capítulos são lançados por semana, aos sábados e domingos.

A estreia aconteceu em 10 de outubro de 2026 e o episódio final está previsto para 29 de novembro de 2026, caso a programação não sofra alterações.

No momento da publicação deste artigo, apenas os dois primeiros episódios haviam sido exibidos.

Por isso ainda não existe um final legítimo para explicar — qualquer texto dizendo saber como termina a história neste momento estaria especulando.

Onde assistir 100 Dias de Mentira?

No Brasil, 100 Dias de Mentira está disponível na Netflix, com episódios novos durante o fim de semana.

A série também é exibida originalmente pela tvN na Coreia do Sul.

Por enquanto, seu maior trunfo está justamente no contraste entre duas pessoas acostumadas a sobreviver usando nomes, línguas e versões diferentes de si mesmas.

Ga-kyung entra na missão porque sabe mentir.

Tae-woong sobrevive porque aprendeu a viver entre identidades.

Durante cem dias, os dois precisarão descobrir algo bem mais perigoso do que qualquer segredo político:

o que acontece quando a única pessoa para quem você deveria mentir começa a ser justamente aquela diante de quem gostaria de dizer a verdade.

100 Dias de Mentira está disponível legalmente na Netflix. O Minha Série Favorita incentiva o consumo de séries e filmes pelos canais oficiais.

Magui Schneider
Magui Schneider

Editora-chefe do Minha Série Favorita e psicóloga, com foco em análise de personagens, relações, comportamento e narrativas de séries, filmes e novelas.

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