Em meio à greve, Netflix abre vaga de inteligência artificial

Em meio à greve dos atores e dos roteiristas, a Netflix abriu uma vaga de trabalho para a seleção de gerente de produto na área de inteligência artificial. O remuneração do cargo varia entre US$ 300 mil a US$ 900 mil ao ano. De acordo com o Tecmundo, as tarefas exigem desenvolver a ‘visão estratégica’ da empresa para o uso de IA.

Além disso, a oferta de trabalho da Netflix surge em um contexto delicado. No momento, Hollywood segue com duas frentes de paralisação. Os roteiristas estão em greve desde maio deste ano. Em julho, a classe dos atores seguiu o sindicato SAG-AFTRA e também anunciou o período de greve da categoria.

Dentre as reivindicações, ambos os sindicatos exigem a regulamentação sobre a utilização de inteligência artificial pelos estúdios. Portanto, a atitude da Netflix pegou a todos de surpresa por avançar neste assunto em um período de grandes discussões.

Greves de Hollywood querem limitar utilização de inteligência artificial; Netflix avança no assunto

Em suma, a utilização de inteligência artificial tornou-se motivo de preocupação para atores e roteiristas. Ambas as categorias sentem-se ameaçadas pelo avanço descontrolado das IAs, algo que a série Black Mirror, da própria Netflix, tratou de trabalhar durante a 6ª temporada.

“Se não nos mantivermos firmes agora, todos estaremos em apuros. Todos nós correremos o risco de sermos substituídos por máquinas”, afirmou Fran Drescher, presidente da SAG-AFTRA.

Acontece que a greve de Hollywood surge justamente para tentar impedir que casos como o da ficção da Netflix tornem-se reais. De acordo com o sindicato dos atores, os estúdios querem investir em inteligência artificial para diminuir o trabalho de atuação.

Sem regulamentação, portanto, a tendência é que os estúdios utilizem as imagens dos atores em participações especiais e em papéis secundários. Poupando, assim, dias de gravações e custos com estrutura e remuneração. Afinal, o sindicato garante que a ameaça de substituição é real.

“Eles [estúdios] propõem que nossos artistas de fundo possam ser scaneados, sejam pagos por um dia de pagamento e sua empresa deva possuir essa digitalização, sua imagem, sua semelhança e poder usá-la pelo resto da eternidade em qualquer projeto que eles querem sem consentimento e sem compensação”, relatou Duncan Crabtree-Ireland, negociador-chefe do sindicato.

Contudo, a AMPTP (órgão negociador dos estúdios) nega a afirmação. Para a instituição, a imagem do ator só poderia ser utilizada com inteligência artificial no projeto para o qual ele foi contratado para fazer. As próximas semanas serão decisivas para a greve e para a regulamentação das IAs em Hollywood.

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