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Crítica de Matrix Resurrections (Matrix 4)

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É inegável, o tamanho que a saga Matrix tem no mundo. Em suma, pouca coisa na arte deste século tem o tamanho que tem a saga, para além da trilogia de filmes iniciada em 1999. O legado que o universo disponibilizado pelas irmãs Wachowski trouxe impactos em vários impactos, seja na forma de comunicação, no linguajar político e filosófico, seja no cinema contemporâneo.

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Desde então, os filmes e os derivados foram destrinchados, remexidos do avesso, estudados e questionados. E assim, surgiram situações que vão desde o uso de seus elementos narrativos no vocabulário de um conservadorismo conspiracionista, até um debate sobre como a sua narrativa opera. Tudo isso, enquanto uma alegoria sobre a vivência de pessoas trans, condições inclusive de suas realizadoras. Diante disso, por que voltar à Matrix? O que mais é possível extrair da saga? Confira a seguir.

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Crítica de Matrix: Resurrections (Matrix 4)

O filme Matrix: Resurrections (Matrix 4), dirigido por Lana Wachowski, atualmente em cartaz, é um filme estranho, e ao mesmo tempo, magnífico. A trama incorpora mais uma vez, o mistério, o espetáculo, bem como as ideias que tornaram a franquia tão grande.

Ao retornar ao universo de Matrix, não é possível encontrar de cara o personagem Neo, e sim, Thomas Anderson. Ele é um designer de jogos e o criador de todas as histórias e imagens que conhecemos como Matrix, o seu mais popular game. Ele coloca todas as narrativas dos filmes anteriores como somente uma invenção artística sua.

Entretanto, Anderson tem certos transtornos psicológicos, capazes de o fazer acreditar que a sua criação é mais realidade do que ficção. Inclusive, ele acredita que a sua história de vida pode não ser a de suas memórias, e sim, a das suas fabulações. E assim, esse limite entre delírio e lucidez atravessa profundas mudanças quando um programa seu parece se libertar para reconectá-lo com a verdade.

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Binarismo da história

Por meio dessa narrativa, onde a própria diegese está em tensão entre o binarismo real/ficção que Wachowski faz do novo Matrix, um filme que vai ter uma parte fundamental de seu discurso. O longa é permeado a todo momento, por flashbacks das produções anteriores, discursos diretos sobre as suas conhecidas imagens e histórias. Além disso, por mais que abuse de um didatismo nesse sentido, se nega a dar respostas definitivas e de se inclinar entre os binarismos.

Essa, é uma atitude que a franquia sempre levou consigo, de se negar a ser sobre algo, de exorcizar o maniqueísmo ancentral entre forma e conteúdo da arte, de não conceber ideia e espetáculo como duas coisas que devem estar claras entre si. Contando com todo esse arsenal estético, Matrix usa da exacerbação do reconhecimento de seus ícones, para construir uma obra de solo incerto. E isso, nos faz compreender as coisas somente para voltarmos a não entender nada.

Mistério envolve o novo filme de Matrix

O mistério é conservado como parte instigante da experiência, mas aqui construído não pela ocultação de informações, mas pelo grande volume delas, uma clareza tão profunda que confunde e que é típica dos nossos tempos.

Ademais, nesta estranheza cimentada, Matrix Resurrections passeia por tantos tons dramáticos distintos com um senso grande de unidade. O filme soa paródico, farsesco, bem como épico, grandioso e pulsante. Ou seja, ele vai além de uma autoanálise boba.

Lembre-se: estamos lidando com uma das vozes do cinema contemporâneo, que conseguiu se apropriar das possibilidades técnicas do digital para criar filmes desse gênero. Em outras palavras, eles emanam vivacidade e tesão, por meio de cores, luzes, ritmo, e manipulação do tempo e espaço. E tudo está de volta, não com a ideia de criar novos ícones, mas de resgatar o que pode ter ficado esquecido no blockbuster contemporâneo.

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