O Atirador-A-Última Batalha

Crítica de O Atirador: A Última Batalha: Brandon Beckett precisa aprender a comandar, não apenas atirar

O Atirador: A Última Batalha, disponível na Netflix por poucos dias e também na HBO Max, sabe que depois de onze filmes não basta colocar Brandon Beckett atrás de outra mira. Danishka Esterhazy encontra um pequeno movimento de personagem capaz de justificar mais uma missão: desta vez, Brandon não precisa provar que consegue acertar o alvo. Precisa decidir se consegue mandar outras pessoas entrarem na linha de fogo.

É uma ideia simples, mas funciona porque Chad Michael Collins já carrega anos de franquia no corpo do personagem. Brandon está acostumado a arriscar a própria vida. A resistência aparece quando entende que liderança significa assumir responsabilidade pela vida dos outros.

VEJA TAMBÉM

Crítica de O Atirador: A Última Batalha: Brandon Beckett precisa finalmente virar líder

O Atirador A-Última-Batalha
Imagem: Sony Pictures

O filme começa praticamente no meio do caos.

Ryker Kovalov está cercado, a base parece dominada e a missão aparenta estar perto do fim. Então uma arma experimental é ativada e transforma uma vitória previsível numa carnificina.

A narrativa volta 48 horas e explica como Brandon chegou ali.

É uma estrutura conhecida, mas eficiente: quando retornamos à explosão, já sabemos quem são aqueles soldados e por que cada perda importa.

Chad Michael Collins encontrou um lugar confortável dentro da franquia

Chad Michael Collins já não precisa imitar Tom Berenger para sustentar Sniper.

Brandon tem um estilo próprio: menos estoico, mais verbal e mais interessado em trabalhar com uma equipe.

Isso permite que A Última Batalha faça algo inteligente: aproximá-lo do lugar de mentor sem transformá-lo numa cópia do pai.

Zondi é o espelho necessário

Sizo Mahlangu interpreta Zondi, atirador jovem que Brandon precisa orientar.

A melhor conversa do filme acontece quando os dois discutem o peso de uma ordem. Beckett admite que dar uma instrução que pode matar outra pessoa é diferente de escolher arriscar a própria vida.

Zondi responde com algo que resume a temporada atual de Brandon: confiança também é uma escolha de quem segue.

O líder não controla completamente o risco. Precisa merecer que alguém aceite esse risco ao lado dele.

Ryan Robbins funciona como parceiro, não como sombra

Ryan Robbins volta como Zero e mantém uma dinâmica fácil com Collins.

Ele não existe apenas para ser o segundo atirador. Zero conhece Brandon o suficiente para empurrá-lo em direção à liderança quando o protagonista preferiria permanecer na função mais confortável de executar ordens.

Arnold Vosloo recebe um vilão muito mais genérico do que merece

Arnold Vosloo tem presença suficiente para fazer Kovalov parecer perigoso antes mesmo de falar muito.

O problema é o roteiro.

Traficante internacional de armas, político corrupto, cientista maluco e dispositivo capaz de matar em massa formam uma combinação tão conhecida que o antagonista parece existir apenas para colocar a equipe no campo de batalha.

O filme poderia fazer mais com o acordo entre Kovalov e o primeiro-ministro de Costa Verde.

A superarma é absurda, mas resolve bem a mudança de escala

O Atirador A Última-Batalha
Imagem: Sony Pictures

O Grim Reaper não é exatamente uma invenção plausível.

Mas funciona como dispositivo dramático porque elimina boa parte da equipe de uma vez e obriga os sobreviventes a improvisarem uma defesa com recursos limitados.

É nesse momento que o filme deixa de ser missão de infiltração e vira realmente uma “última batalha”.

Danishka Esterhazy filma ação com clareza

Os recursos são menores do que em grandes produções militares, e o filme não tenta esconder completamente isso.

O melhor da direção está na geografia. Sabemos onde estão atiradores, corredores, laboratório, garagem e pátio. Quando Beckett desenha setores de tiro e zonas de defesa, a montagem permite acompanhar a estratégia.

Para um filme sobre precisão, clareza espacial importa mais do que explosões gigantes.

O elenco feminino ganha mais espaço do que a franquia antiga costumava oferecer

Hera e Angel participam efetivamente da operação e da resistência final.

A franquia recente vem ampliando o grupo ao redor de Brandon, deixando de depender exclusivamente da figura solitária do homem com rifle.

O resultado combina com o próprio arco do protagonista: ele precisa aprender a pensar em equipe.

O filme é melhor quando as balas têm consequência

Há muitas mortes, mas nem todas são tratadas como simples contagem de corpos.

Quando Modise e outros membros da equipe caem depois da ativação da arma, Brandon precisa continuar comandando poucos minutos depois.

Esse é o ponto em que a hesitação inicial deixa de ser abstrata: se ele travar, mais gente morre.

O que nos arrebatou e o que escorregou

O que nos arrebatouO que escorregou
Brandon ganha um arco de liderança que aproveita a história da franquia.Kovalov e a superarma são antagonismos muito genéricos.
Zondi permite que Beckett finalmente funcione como mentor.Alguns membros da equipe existem principalmente para aumentar a contagem de baixas.
A ação mantém geografia clara mesmo com orçamento menor.Diálogos militares às vezes soam mais funcionais do que humanos.
Zero e a equipe dão energia coletiva à fórmula do atirador solitário.A política de Costa Verde é simplificada demais.

Vale a pena assistir O Atirador: A Última Batalha?

Sim, principalmente para quem já acompanha Brandon Beckett.

Como filme independente, é uma ação militar eficiente e previsível. Como 11º capítulo de uma franquia, funciona melhor porque entende que o personagem precisa avançar de posição.

Brandon entrou na saga como filho de uma lenda. Em A Última Batalha, começa finalmente a parecer o homem que pode ensinar alguém da geração seguinte.

Veredito do Coração

⭐⭐⭐½ 3,5/5

O Atirador: A Última Batalha não reinventa ação militar, mas encontra um bom motivo para colocar Brandon Beckett novamente em combate. O tiro mais importante não é o que ele acerta. É o momento em que aceita que liderar significa confiar que outras pessoas também escolheram permanecer ali.

O Atirador: A Última Batalha está disponível em plataformas oficiais de streaming e aluguel. O Minha Série Favorita incentiva o consumo legal.

Magui Schneider

Magui Schneider

Editora-chefe do Minha Série Favorita e psicóloga, com foco em análise de personagens, relações, comportamento e narrativas de séries, filmes e novelas.

Artigos: 489

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *