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Uma Segunda Chance: 9 diferenças entre o filme e o livro de Colleen Hoover

Colleen Hoover teve uma posição incomum em Uma Segunda Chance: desta vez, ela não entregou apenas um romance para outras pessoas adaptarem. A autora coescreveu o roteiro com Lauren Levine e participou diretamente das decisões sobre o que sobreviveria à passagem de Reminders of Him para o cinema.

Talvez por isso a estrutura principal continue muito próxima do livro. Kenna volta para a cidade, Ledger se aproxima, os Landry impedem contato com Diem e as cartas para Scotty abrem caminho para o perdão. As diferenças aparecem no tempo, no tom e principalmente na forma como o filme simplifica algumas relações.

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Diferenças entre o filme e o livro

Abaixo, confira 9 diferenças importantes entre as versões de Uma Segunda Chance:

Atenção: spoilers das duas versões.

1. A pena de Kenna ficou maior no filme

No romance, a apresentação oficial de Kenna diz que ela passou cinco anos na prisão e retorna quando Diem tem quatro anos.

No filme, o juiz a condena a sete anos por homicídio veicular sob influência. A adaptação também deixa Diem mais velha, perto dos seis anos no momento do reencontro.

A mudança amplia a sensação de tempo roubado. Kenna não perdeu apenas os primeiros anos da maternidade; perdeu praticamente toda a primeira infância da filha.

2. O acidente ganha novos detalhes

O livro e o filme preservam a ideia central: Kenna dirigia depois de consumir substâncias, o carro capotou e ela acreditou que Scotty estava morto antes de sair procurando ajuda.

A adaptação reorganiza a noite. O filme transforma a data no aniversário de Scotty, mostra os dois no lago, inclui a música Yellow e cria a imagem de um dia especialmente feliz antes do acidente.

Essas mudanças tornam a tragédia mais visual e dão à música uma função que não existe da mesma maneira no romance.

3. Maika Monroe deixa Kenna mais fechada

No livro, temos acesso constante aos pensamentos da protagonista. Kenna é impulsiva, emocional e escreve longas cartas que revelam sua culpa sem filtro.

O cinema não dispõe da mesma intimidade. Maika Monroe interpreta Kenna como alguém mais contida, desconfiada e acostumada a esconder reação antes de falar.

Não é apenas uma mudança de roteiro; é uma mudança de linguagem. A versão cinematográfica precisa colocar no rosto aquilo que o livro entrega diretamente em primeira pessoa.

4. O ponto de vista de Ledger perde espaço

Reminders of Him alterna entre Kenna e Ledger. Essa estrutura deixa o leitor acompanhar a culpa do personagem por se aproximar dela enquanto continua profundamente ligado aos Landry e a Diem.

O filme permanece muito mais próximo de Kenna. Tyriq Withers precisa expressar o conflito de Ledger por comportamento, silêncio e escolhas, sem a mesma quantidade de pensamento interno.

Por isso, algumas mudanças de opinião parecem mais rápidas na tela do que nas páginas.

5. Ledger é menos hostil com Kenna

No romance, a antipatia inicial de Ledger dura mais. Ele desconfia das intenções de Kenna e pode ser bastante duro ao acreditar que ela tenta usá-lo para chegar até Diem.

O filme suaviza essa fase. Ledger ainda a impede de se aproximar da menina e inicialmente compartilha a versão dos Landry, mas começa a demonstrar empatia mais cedo.

A mudança torna o romance mais palatável e reduz comportamentos que poderiam parecer excessivamente possessivos ou agressivos numa adaptação cinematográfica.

6. O primeiro beijo acontece de maneira diferente

No livro, a atração entre os dois se torna física mais cedo, antes de toda a identidade de Ledger e sua ligação com Scotty serem completamente processadas por Kenna.

O filme segura o beijo. Kenna percebe quem Ledger é, recua e a relação precisa ganhar confiança antes de avançar.

Isso transforma o primeiro momento romântico numa recompensa mais tardia e evita que a protagonista pareça entrar rapidamente numa relação com o melhor amigo do namorado morto antes de compreender as consequências.

7. Uma cena de sexo foi filmada — e cortada

O romance possui uma sequência sexual bastante mais explícita entre Kenna e Ledger. A produção chegou a filmar uma versão intensa da cena, mas Vanessa Caswill decidiu retirá-la do corte final.

A classificação PG-13 pesou na decisão. Segundo a própria diretora, o material filmado funcionava, mas era mais explícito do que o longa precisava para manter o tom pretendido.

A versão final conserva intimidade e desejo, porém deixa o sexo menos central do que no livro.

8. As cartas de Kenna são muito mais importantes no romance

As cartas para Scotty continuam no filme e ainda desencadeiam a mudança de Grace, mas ocupam menos espaço.

No livro, elas funcionam quase como uma segunda narrativa. Kenna usa os textos para contar aquilo que não consegue dizer aos vivos: o que aconteceu no acidente, o que sente por Diem, a culpa e até a aproximação com Ledger.

A adaptação utiliza voz em off e trechos selecionados. É eficiente, mas reduz a sensação de convivermos durante anos com a mente da personagem.

9. O filme corta o epílogo de dois anos depois

Essa é a diferença mais importante do final.

No livro, dois anos depois, Kenna está integrada à vida de Diem. A menina continua tendo Grace e Patrick como base principal, enquanto a mãe vive próxima e participa ativamente da rotina. Kenna e Ledger permanecem juntos e têm um filho, chamado Scotty.

O filme não mostra isso. A última sequência acompanha Kenna, Ledger e Diem recolocando o memorial de Scotty. Kenna escreve que já não está sozinha e que as lembranças dele agora a fazem sorrir.

É um final menos explicativo e evita fechar cada detalhe do futuro.

Colleen Hoover aprovou as mudanças?

Mais do que aprovar: ela participou delas. Uma Segunda Chance foi a primeira adaptação em que Hoover coescreveu o roteiro desde o início e ajudou a desenvolver o projeto antes de ele chegar ao estúdio.

A autora já explicou que sua prioridade não era manter tudo apenas porque leitores gostavam de determinada passagem. A pergunta era também se aquela cena funcionaria como cinema.

Isso explica por que a adaptação é fiel nos acontecimentos essenciais e ao mesmo tempo não tem medo de remover trechos populares.

Qual versão é mais emocional?

O livro tem vantagem na interioridade. Passamos mais tempo dentro da culpa de Kenna e do conflito de Ledger, e as cartas conseguem construir uma intimidade difícil de repetir em menos de duas horas.

O filme ganha em outras coisas. Ver Maika Monroe diante de Diem transforma o primeiro encontro numa experiência que não depende de narração, e Lauren Graham dá a Grace nuances que surgem menos diretamente na página.

São duas versões da mesma pergunta: quanto tempo uma pessoa precisa continuar pagando depois de ter cometido um erro irreversível?

Uma Segunda Chance adapta Reminders of Him, publicado por Colleen Hoover em 2022.

Magui Schneider
Magui Schneider

Editora-chefe do Minha Série Favorita e psicóloga, com foco em análise de personagens, relações, comportamento e narrativas de séries, filmes e novelas.

Artigos: 353

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